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Cai fora, Sarney!
 
Sexta, 29 de Maio de 2009  
 

No início do ano, o senador pernambucano Jarbas Vasconcelos disse que, caso José Sarney ganhasse a eleição para a presidência do Senado Federal, transformaria o Congresso Nacional num “grande Maranhão”. Leia-se nessa afirmação que o Estado do Maranhão é governado pela família Sarney, ou por seus subordinados, há mais de meio século. Uma dinastia feudal que conquistou para seu povo e sua terra os piores índices sócio-econômicos e para si uma fortuna de dimensões incalculáveis. Indiferentes aos fatos, 49 dos 81 senadores da República elegeram, pela terceira vez e por voto secreto, José Sarney como presidente do Senado Federal.

Após a eleição de Sarney, pipocaram denúncias de corrupção no Senado, definitivamente sem moral ou credibilidade e enterrado em um mar de lama sem fim. A safadeza da hora foi pegar o senador José Sarney recebendo auxílio-moradia mensal de R$ 3.800,00, mesmo sendo proprietário de uma confortável casa em Brasília e dispondo ainda de outra mansão: a residência oficial da presidência do Senado. Na maior cara-de-pau, Sarney, no último dia 26 de maio, negou com veemência receber o auxílio-moradia. Dois dias depois, denunciado pela imprensa, foi obrigado a confessar a maracutaia, que ele prefere chamar de “equívoco administrativo”.

Há tantos “equívocos” nas três passagens do senador José Sarney pela presidência do Senado que qualquer ignorante compreende que sentá-lo na cadeira mais alta do Congresso Nacional é uma afronta à inteligência, ao bolso dos brasileiros e à opinião pública. Há de se lembrar que Sarney escalou seguranças da Polícia do Senado para proteger sua residência em São Luís, capital do Maranhão, mesmo sendo ele um senador pelo Estado do Amapá; que das 181 diretorias descobertas no Senado, cerca de 50 foram criadas por José Sarney; e que, quando flagraram uma diretora do Senado trabalhando nas campanhas da família, o senador Sarney exonerou-a da diretoria e a nomeou como sua assessora especial na Casa. Será preciso mais alguma coisa para defenestrá-lo da presidência? Ou os demais 80 senadores aceitam candidamente o título de servos nesse “grande Maranhão”?

Não poderia ser diferente. Os números maranhenses refletem bem as “potencialidades” da família Sarney. Dentre todos os Estados brasileiros, o Maranhão possui o segundo pior IDH – Índice de Desenvolvimento Humano¹, a segunda maior taxa de mortalidade infantil² e a segunda menor expectativa de vida³. Em todos os casos, o Maranhão só está menos pior que Estado de Alagoas, do também celebérrimo ex-presidente da Casa, senador Renan Calheiros. Será essa uma maldição da presidência do Senado Federal? Ou é a falta de vergonha na cara?

Em contrapartida, o que falta à população maranhense, sobra nos cofres dos Sarney. Além de numerosas propriedades rurais, empresas, shopping center e o conglomerado Sistema Mirante de Comunicação, que inclui três emissoras de TV, seis emissoras de rádio e o jornal O Estado do Maranhão, apenas os três Sarney que estão em cargos eletivos de maior representatividade (o senador José Sarney, o deputado federal Sarney Filho e a governadora Roseana Sarney) declararam ao TSE possuir um patrimônio estimado em R$ 8,5 milhões4 . Isso porque, dos 15 itens elencados na declaração de bens de Roseana Sarney, só há referência de valor para um fundo de previdência privada e os demais bens (imóveis, empresas, fazendas, etc) estão zerados. Sobra tanto no cofre, que o senador José Sarney nem percebeu que o Senado estava depositando ilegalmente R$ 3.800,00 a mais em sua conta bancária por mês! Uma bobagem, né?!

Diante disso, os Senadores da República, se lixando para a opinião pública, ficaram do lado do presidente Sarney. Para poupá-lo de devolver todo dinheiro que recebeu indevidamente como auxílio-moradia, assim que a denúncia foi confirmada, a direção do Senado baixou um ato tornando legal o que era ilegal e fazendo-o retroagir a dezembro de 2002. Em questão de minutos, os senadores descolaram de Sarney a imagem da corrupção e o transformaram no mais fiel cumpridor do regimento interno do Senado Federal e da Constituição Brasileira. Uma ignomínia. A título de curiosidade, o Senado Federal pagou ilegalmente cerca de R$ 11 milhões em auxílio-moradia para senadores que não deveriam recebê-lo.

O Brasil precisa sair às ruas. Ninguém suporta mais ser roubado descaradamente e nada fazer. Ou povo brasileiro reage, ou vamos continuar nessa dinâmica onde o Poder Executivo manda, o Legislativo rouba e o Judiciário engaveta. Não somos tolos! Não somos bobos! Não somos idiotas! E o Senado Federal está desabando. A melhor saída agora é o senador José Sarney renunciar à presidência da Casa. Sua vergonhosa imortalidade conferida pela Academia Brasileira de Letras não será suficiente para sustentá-lo no comando do Congresso Nacional. Cai fora, Sarney... cai, fora!


1. Dados oficiais da PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (http://www.pnud.org.br/pobreza_desigualdade/reportagens/index.php?id01=3039&lay=pde);

2. Dados oficiais do Ministério da Saúde (http://portal.saude.gov.br/SAUDE/visualizar_texto.cfm?idtxt=2443);

3. Dados oficiais do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (http://www.ibge.gov.br/home/mapa_site/mapa_site.php#indicadores);

4. Declaração dos três candidatos disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral, referente a suas candidaturas em 2006: José Sarney (http://www.tse.gov.br/sadEleicao2006DivCand/listaBens.jsp?sg_ue=AP&sq_cand=10083 ), Sarney Filho (http://www.tse.gov.br/sadEleicao2006DivCand/listaBens.jsp?sg_ue=MA&sq_cand=10590 ) e Roseana Sarney (http://www.tse.gov.br/sadEleicao2006DivCand/listaBens.jsp?sg_ue=MA&sq_cand=10558).


 

 

HELDER CALDEIRA
Articulista Político, Palestrante e Conferencista
Rio de Janeiro/RJ – heldercaldeira@folha.com.br


 
 
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