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Lolozinho: O Palhaço Futuca
 
Domingo, 30 de Agosto de 2009  
 

ÁLVARO DOS SANTOS MOREIRA – “Lolozinho”. Era natural da cidade de Riacho de Santana, nasceu durante os festejos natalinos do dia 25 de dezembro de 1916. Sabe-se que, quando ainda menino era muito sapeca, pois gostava de caçar passarinhos e nadar nos rios ainda correntes daquela época. Sempre quis ser um malabarista de circo. E numa dessas, aproveitando o movimento circense da cidade, integrou-se ao elenco dos artistas que apresentavam em sua cidade natal. Era o Circo Nero de propriedade do senhor Arthur Nero, com os seus palhaços e as suas belas malabaristas. Acompanhando os integrantes do Circo Nero partiu o jovem Lolozinho no dia 17 de agosto de 1934 para o mundo das mil e uma fantasias. No entanto, quis o destino que, quando chegasse aqui em nossa Guanambi ele desarrumasse o seu farnel e ficasse para sempre conosco. Assim nascia a lenda do palhaço Futuca, o bom ator que divertia, com folguedos e regozijos, todas as crianças daqueles tempos.

Outrossim, vem a ponto o dizer-lhes que já tive eu a pascacice de acreditar que o palhaço era mesmo um ladrão de mulher. – E o palhaço o que é? – É ladrão de mulher! Ora, quem diria, num dia desses o circo partiria e Lolozinho ficasse sozinho, sem parentes e sem aderentes, assim como dizem os mais velhos.

Entretanto, com a chegada da empresa Casas Baia Lolozinho passou a anunciar as sessões de cinema daquela empresa. Tratava-se de um cinema ambulante, que projetava suas películas em lugares públicos. Os espectadores tinham que levar para a praça as cadeiras ou os pequenos tamboretes. Sempre que apareciam circos em Guanambi o palhaço Futuca era convidado a participar de suas apresentações. Só lhe podem apontar, no grande trabalho que deixou para a posteridade, que ele foi o maior comunicador de massa do seu tempo.

Depois dos circos e dos cinemas, o destino de Lolozinho tornava-se incerto. Nos anos de 1947 e 48, ao volante de um velho caminhão Chevrolet ele iniciava o transporte do algodão de Guanambi até a vila de Nossa Senhora das Graças do Tremedal, hoje a cidade de Monte Azul, terra do coronel Levi de Souza e Silva. Ali, os empresários Sinésio Bastos, o doutor Nelson Bastos de Castro, Valeriano Ramos e Franco Fernandes embarcavam nos vagões do trem de ferro toda a produção do município e, também, da região. O algodão seguia para as grandes indústrias de São Paulo. Não havendo outros produtos para serem transportados durante a entressafra do algodão, os caminhões de Lolozinho ficavam parados, ociosos. Era preciso encontrar uma outra maneira de sobreviver.

Contrariando, talvez, a sua própria vocação profissional, em 1949, ele adquire por cinqüenta e seis contos de réis o equipamento necessário para a instalação de uma sorveteria. Inaugura-se nesta data a Sorveteria Dois de Julho. Essa nova modalidade de negócio vinha acompanhada de um salão de dança e com estúdio musical onde nos fins de semana eram realizadas as horas-dançantes. Durante essas festanças, a participação dos saxofonistas Renato Preto e Flávio David era obrigatória.

Na sua inquietude de sempre, tempos depois o jovem Lolozinho iniciava uma atividade lucrativa. Desta vez, associando-se com o senhor Benjamim Vieira Costa, ele inaugurou o Posto Atlantic. Ficava a sua bomba de combustível em frente ao Posto Texaco, de propriedade do senhor Celso Ribeiro. Além de dono de posto de gasolina ainda exercia a profissão de mecânico em geral e motorista profissional. Na boléia de um velho caminhão ele realizava todas suas fantasias possíveis. Brecar o carro num buzinaço legal era uma sensação quase que inexplicável.

Em quase toda a sua existência, Lolozinho dedicou-se a consertar velhos carros para reaproveitá-los no transporte da água. Com seus carros-pipas ele socorria as famílias da penúria da falta d’água. E assim, cumpriu o seu fadário até que um dia pode lançar o seu brado de revolta contra as desigualdades existentes. Ele conhecia melhor do que ninguém os problemas sociais e culturais do nosso povo. Aqueles mais necessitados nada pagavam por uma lata d’água.

De minha infância há duas cenas das quais nunca me esqueço: o carro-pipa de Lolozinho distribuindo água para a população e os carros de boi dos roceiros vagando pelas ruas empoeiradas da cidade com a lenha e os gravetos para serem vendidos.

Na última visita que lhe fiz – 17 de agosto de 1993 - o rei Momo vestido com os paramentos de palhaço, despedia de seus amigos e de sua querida Guanambi. No dia do seu desaparecimento o comércio fechou as portas e o luto era oficial na cidade. Eis o glorioso fim de quem, anos atrás, aqui chegara numa caravana circense como o palhaço Futuca. Guanambi lhe reverencia, hoje, e assim o fará sempre, a memória ilustre deste artista da vida, que é, na realidade, sem exagero encomiástico, a honra e a glória de nossa terra.

 

Dário Teixeira Cotrim - É historiador e pesquisador brasileiro, membro de diversas Academias e do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.


 
 
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